América Latina é um mercado em ascensão para helicópteros

LABACE Convention News » 2013 Edição portuguesa
Latin America
América Latina já é o terceiro maior mercado global para vendas de helicópteros.
August 12, 2013, 3:10 PM

Não há um fabricante que não fique disfarçadamente com água na boca ao mencionar-se o apetite da América Latina por helicópteros e o crescimento deste mercado. De acordo com o relatório da Honeywell, o 15º Perspectiva Sobre a Compra de Helicóptero a Turbina Para Uso Civil, o apetite por helicópteros na América Latina sugere um pico nas vendas de 34 por cento ao longo dos próximos 5 anos. Espera-se que as vendas durante esse período atinjam “algo em torno de 4.900 a 5.600 helicópteros de uso civil em todo o mundo,” tal previsão certamente chama a atenção dos fabricantes.

Numa entrevista recente, o presidente da Associação Internacional de Helicópteros (HAI, na sigla em inglês), Matt Zuccaro mostrou que as vendas de helicópteros na América Latina hoje representam em torno de 7 por cento do mercado mundial, e o Brasil é responsável por metade dessa quantia.

De fato, conforme o Segundo Anuário Brasileiro da Aviação Geral, lançado no ano passado na LABACE, a frota completa de helicópteros no Brasil atingiu 1.654 aeronaves, 159 a mais que em 2011. Desta frota 759 tinham 10 anos ou mais e, destes 292 tinham 20 anos ou mais.

O Brasil continua a ser o motor por trás do rápido crescimento do mercado de suporte a helicópteros na América Latina. A Líder Aviação (chalé 5118) - com uma frota de mais de 60 helicópteros, mais de 250 pilotos e um novo simulador Sikorsky S-76 da CAE SimuFlite (estande 3004) que entrou em operação no ano passado - é só uma das entidades do mercado.

Outros operadores offshore na América Latina incluem a canadense CHC, a Brazilian Helicopter Services, Omni Aviation e Omni Táxi Aéreo, Era Group e Helivia Aero Táxi. E praticamente todos os fabricantes de helicópteros estão representados, de AugustaWestland (Chalé 6106) e Eurocopter até Bell e a russa Kamov.

Interesses Russos

A Russian Helicopters, formada em 2007, está de olho no mercado latino-americano. A empresa de design e fabricação com sede em Moscou apontou em janeiro que, com 20 por cento das aeronaves militares de asa giratória latino-americanas sendo de fabricação russa, as condições permitiram que a empresa começasse a focar no mercado civil, particularmente no Brasil, Argentina e México.

A Russian Helicopters vê o Mi-171A2 como o sucessor da família Mi-8/17, que havia sido desenhada especialmente para o mercado latino-americano. “Apesar de ainda ser cedo, o potencial do Mi-171A2 no mercado latino-americano é sem dúvida robusto,” informou a empresa.

Em dezembro, a Russian Helicopters e a operadora brasileira Atlas Táxi Aéreo assinaram um contrato de US$200 milhões pela aquisição de 14 helicópteros Kamov-62 para trabalho offshore. O que foi prontamente seguido da criação, por parte das duas empresas, de um centro serviços para helicóptero no Brasil, operado pela subsidiária Russa Oboronprom.

Conexão AgustaWestland/Embraer Explorada

Se o Brasil está no centro da demanda por helicópteros na América Latina, e parece que realmente está, então a cidade de São Paulo é o núcleo. A frota em operação no estado de São Paulo soma mais de 400 helicópteros, e apenas na cidade há mais de 250 helipontos, um pouco mais que a metade do total de helipontos em todo o país.

Talvez a prova mais óbvia do potencial do mercado de helicópteros na América Latina e no Brasil em particular, foi um memorando de entendimento assinado neste ano entre a Embraer, fabricante brasileira de jatos executivos e a AugustaWestland, fabricante de equipamentos originais (OEM, na sigla em inglês). “Este é um passo importante para a Embraer enquanto damos continuidade à expansão do negócio,” disse o presidente e CEO da Embraer (chalé 5115) Frederico Curado, na época. O acordo teria estabelecido um empreendimento conjunto no Brasil para fabricar e comercializar helicópteros.

“O Brasil é um mercado importante para a AugustaWestland e acreditamos que estar presente industrialmente neste país nos ajudará a avançar num dos mercados que mais cresce no mundo,” acrescentou o CEO da AugustaWestland, Bruno Spagnolini.

As duas empresas acabaram abandonando o projeto, dizendo numa declaração conjunta que haviam decidido de mútuo acordo finalizar as negociações do projeto, mas sem apresentar as razões de terem descartado o empreendimento. Analistas acreditam que a Embraer continuará a explorar a possibilidade de um helicóptero fabricado no país, como parte de uma estratégia nacional de expansão da aviação e do setor aeroespacial.

Bell Tem Ampla Presença

A Bell Helicopter está desenvolvendo uma participação considerável na América Latina. Neste momento, dos estimados 4.094 helicópteros da região, 1.311 são da Bell. Destes, 331 estão no México, 244 no Brasil, 182 na Colômbia e 118 na Venezuela.

Segundo o gerente de comunicações da Bell Brian Bianco, o fabricante vê maior entrada no mercado com seu Bell 407GX e 429 nos setores corporativo e de aplicação de leis. No mercado offshore, nosso médio 412EP continua um sucesso,” disse.

Bianco disse que a empresa Textron espera que o crescimento nestes mercados continue no curto e médio prazo, mas acrescenta, “O Bell 525 será um divisor de águas em áreas como o mercado offshore brasileiro e manterá a Bell Helicopter como principal plataforma para o mercado offshore mexicano enquanto as plataformas são levadas a águas mais profundas e precisam de voos mais longos.

A Bell espera que seu novo curto leve mono (SLS) “tenha aceitação imediata no segmento de mercado corporativo em lugares como São Paulo onde operações de táxi aéreo acontecem todo o tempo.

Robinson Vê Demanda

A Robinson Helicopter alega fortes vendas globalmente, marcadas por 195 unidades entregues do R66 em 2012 e a expectativa de mais de 200 entregas em 2013. Espera-se que em torno de 20 por cento das entregas em todo o mundo em 2013 sejam para consumidores da América Latina. As vendas da Robinson na América Latina acontecem por meio de uma rede de distribuidores, a maior parte via Audi Helicópteros e Power Helicópteros, ambas com sede no Brasil.

Kurt Robinson, presidente da companhia disse que o R44 e R66 são apropriados para o transporte em área remotas de países latino-americanos onde a confiabilidade é uma necessidade absoluta. E o nível dos preços também é atrativo, assim como a eficiência do combustível. O R44 Raven 2 está na faixa de US$450.000, enquanto que o R66 gira em torno de US$800.000. O R66, aeronave de turbina, consome combustível numa taxa de 20 galões por hora, enquanto o R44, que tem motor a pistão, consome míseros 15 galões por hora.

O relatório Perspectiva Sobre a Compra de Helicóptero, feito pela Honeywell, reflete as expectativas de Bell, Robinson e outros fabricantes de equipamentos originais (OEM) não apenas para a América Latina mas também para o mercado mundial. “A resposta mais forte à pesquisa deste ano indica que a indústria pode estar retornando a um ambiente propício à expansão,” afirma o relatório.

América Latina e Ásia continuam sendo a maior expectativa de expansão e reposição de frota dentre as regiões. Os autores do relatório acrescentam: “Em termos de projeção de demanda regional por novos helicópteros, América Latina e Ásia continuam numa disputa acirrada pelo posto de terceiro maior mercado regional do mundo, após América do Norte e Europa.

Se há um problema no caminho do crescimento das operações com helicóptero na América Latina, é o da segurança. “O crescimento na região tem sido explosivo,” disse Zuccaro da HAI. “Sempre que isso acontece, manter o controle se torna um desafio.”

Zuccaro afirmou que representantes de segurança da HAI fizeram várias viagens à América Latina para patrocinar seminários de segurança, e ele acrescentou que vários países criaram times de segurança. “Mas a conclusão é que a indústria segue numa direção positiva e indústria e governo estão trabalhando para criar um nível apropriado de supervisão, de helipontos e serviços a manutenção e controle de tráfego aéreo.”

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